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'Cloroquina' Ă© a palavra mais pronunciada na CPI entre dez selecionadas pelo G1

Por Informe News em 08/05/2021 às 04:30:20

Nome de remédio ineficaz contra Covid foi repetido 340 vezes nas três primeiras reuniões para depoimentos (de Mandetta, Teich e Queiroga). Palavra 'vacinas' (175 vezes) aparece em seguida. Levantamento do G1 com base nos registros taquigráficos das reuniões da primeira semana de depoimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado mostra que, entre dez palavras-chave buscadas, “cloroquina” foi a mais pronunciada por senadores e depoentes.

O nome do medicamento – cuja ineficácia contra a Covid-19 é cientificamente comprovada – foi repetido 340 vezes nos três primeiros dias de depoimentos — na terça (4), falou o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta; na quarta (5), o também ex-ministro Nelson Teich; e na quinta (6), o atual ministro, Marcelo Queiroga.

Nas mais de oito horas de depoimento de Queiroga, a palavra "cloroquina" saiu das bocas dos parlamentares e do ministro 135 vezes. Nas seis horas em que Teich esteve à disposição dos senadores, 126 vezes; e nas mais de sete horas em que Mandetta ocupou o palco da CPI, 79 vezes.

O G1 usou mecanismo de busca para verificar a ocorrência de dez palavras-chave durante as reuniões da comissão — "cloroquina", "vacinas", "máscara", "isolamento", "distanciamento", "insumos", "ivermectina", "tratamento precoce", "oxigênio" e "lockdown", todos termos recorrentes no noticiário desde o início da pandemia da Covid-19.

"Cloroquina" (340 vezes) teve quase o dobro das referências da segunda palavra mais pronunciada ("vacinas", 175 vezes). Depois, aparecem "máscara" (111) e "isolamento" (101) — veja no gráfico abaixo e na tabela com todos os resultados ao final desta reportagem.

Apesar de comprovadamente ineficaz contra o coronavírus, o uso do antimalárico contra a Covid-19 é estimulado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. O governo atuou diretamente na produção, compra e distribuição do medicamento.

A CPI quer apurar os responsáveis no governo pela disseminação do medicamento — que pode provocar efeitos colaterais graves. Integrantes da comissão pediram ao Exército e à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) explicações sobre a fabricação de comprimidos de cloroquina nos laboratórios das duas instituições.

Durante seu depoimento, Queiroga foi várias vezes questionado sobre qual posição tem em relação ao uso de cloroquina no enfrentamento à Covid-19.

O ministro, contudo, evitou se posicionar, alegando que poderá vir a tomar uma decisão a respeito do medicamento ao final da elaboração de um protocolo, que, segundo Queiroga, será editado pelo Ministério da Saúde.

Outro medicamento sem eficácia contra a Covid-19, a ivermectina foi citada 57 vezes por senadores e depoentes.

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‘Vacinas’

Desejadas pela maioria da população brasileira, segundo pesquisa do instituto Datafolha, as vacinas contra a Covid-19 e a compra de imunizantes pelo governo federal geraram questionamentos da CPI aos depoentes.

O termo “vacinas” foi repetido 175 vezes nos três dias de depoimentos. Último a comparecer ao colegiado nesta semana, Marcelo Queiroga disse que o Ministério da Saúde estava finalizando contrato de compra de mais de 100 milhões doses da Pfizer.

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Medidas restritivas e de proteção

Entre as palavras-chave selecionadas pelo G1, “isolamento”, “distanciamento” e “lockdown” foram repetidas com frequência ao longo das sessões desta semana. “Isolamento” apareceu 101 vezes; “distanciamento”, 80; e “lockdown”, 31.

Alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro, as medidas de restrição social são recomendadas pela Organização Mundial de Saúde como estratégia para diminuir a disseminação do coronavírus.

A adoção das medidas, questionadas no Supremo Tribunal Federal (STF), é motivo de embates entre o governo federal e mandatários estaduais e municipais. Recentemente, Bolsonaro tem ameaçado editar um decreto para proibir governadores e prefeitos de tentar restringir a circulação de pessoas.

Questionado sobre o assunto, Queiroga disse que, em "cenários específicos" podem ser adotadas "medidas extremas", mas de forma generalizada, em todo país, para ele, não dão resultado.

O uso de máscaras também foi abordado pelos integrantes da CPI. O termo “máscara” apareceu 111 vezes nesta semana, especialmente em perguntas sobre a atitude do presidente de não utilizar o equipamento de proteção durante visitas a municípios e passeios pelo Distrito Federal. Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga recomendou a utilização de máscaras por todos “sem exceção”.

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Insumos e oxigênio

A falta de insumos hospitalares e de oxigênio para uso medicinal gerou comoção nacional, principalmente durante o colapso de saúde na cidade de Manaus, no início do ano, quando pessoas morreram por falta de ar.

Esse, inclusive, é um dos pontos de investigação pela CPI, que também apura ações e omissões do governo federal na pandemia.

O termo “insumos”, nesta semana, apareceu 57 vezes no levantamento feito pelo G1. O vocábulo “oxigênio” foi repetido 35 vezes.

Bolsonaro, governadores, prefeitos

Uma das grandes polêmicas envolvendo a CPI da Covid é o foco da investigação. O primeiro pedido de criação do colegiado tinha a finalidade de investigar somente as ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia.

Aliados do Palácio do Planalto eram contrários à criação da CPI. Derrotados, trabalharam para ampliar o leque da investigação a fim de incluir eventuais desvios de dinheiro por parte de governos estaduais e prefeituras.

Ao final, a comissão, além de investigar o governo, ficou com a missão de fiscalizar a aplicação de recursos federais por governadores e prefeitos.

Segundo levantamento feito pelo G1, o sobrenome do presidente da República, “Bolsonaro”, apareceu 52 vezes nesta primeira semana de depoimentos. As palavras “governadores” e “prefeitos” foram citadas 40 e 27 vezes, respectivamente.

As palavras-chave buscadas pelo G1 nas reuniões da CPI

Fonte: G1

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