CPI da Covid começa a ouvir o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta

Por Informe News em 04/05/2021 às 10:37:55

Mandetta era o ministro quando a pandemia chegou ao país, há pouco mais de um ano. Ele deixou o governo depois de se desentender com Bolsonaro sobre temas como distanciamento social e uso da cloroquina. O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta começou a falar na CPI da Covid, no Senado, às 11h05 desta terça-feira (4). O depoimento de Mandetta é o primeiro da CPI, instalada na semana passada. Veja o depoimento ao vivo no vídeo abaixo:

Transmissão ao vivo: CPI da Covid ouve Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich

O ex-ministro vai falar na condição de testemunha, quando há o compromisso de dizer a verdade sob o risco de incorrer no crime de falso testemunho. O Brasil já tem mais de 408 mil mortes por Covid-19.

No início de sua fala, Mandetta disse que sua gestão na pandemia procurava se basear em três pontos principais: defesa da vida, fortalecimento da atuação do SUS e valorização da ciência.

"O que só me resta dizer que a tomada de decisão foi em cima de três pilares: a defesa intransigente da vida, que foi o princípio número um, não haveria nenhuma vida que não fosse valorizada; o SUS, como meio para atingir; e a ciência, como elemento de decisão. Esses foram os três pilares sob os quais nós construímos o eixo de prevenção, de atenção, de testagem, de hospitalização e de monitoramento da doença", afirmou o ex-ministro.

Mandetta era o ministro quando a pandemia chegou ao país, há um ano e dois meses. Nas primeiras semanas da crise, ele dava entrevistas diárias para falar sobre o avanço do coronavírus e reforçar a necessidade de medidas de distanciamento social. A postura desagradou o presidente Jair Bolsonaro, que sempre foi contrário às restrições de circulação de pessoas, apontadas como essenciais por autoridades de saúde.

Mandetta também desagradou Bolsonaro ao não defender a cloroquina. O remédio, de acordo com estudos científicos, não tem eficácia para o tratamento da Covid. Mesmo assim, Bolsonaro afirma, há mais de um ano, que o uso pode curar a doença.

A relação entre Bolsonaro e Mandetta ficou insustentável depois de o presidente demonstrar publicamente insatisfação com o então ministro.

Mandetta deixou o governo em abril do ano passado, em meio à escalada da pandemia no país. O sucessor, Nelson Teich, que será ouvido na CPI na tarde desta terça, ficou menos de um mês no cargo, por também não concordar com Bolsonaro sobre a condução da crise.

Ana Flor: Mandetta preparou depoimento técnico para CPI da Covid

Atraso

O depoimento de Mandetta estava marcado para começar às 10h. O atraso de pouco mais de uma hora ocorreu porque, na abertura da sessão, senadores governistas da CPI reivindicaram aprovação de pedidos para chamar à comissão autoridades ligadas aos governos estaduais.

Uma das estratégias da oposição é envolver governadores nas investigações da CPI, para tirar o foco do governo federal.

O presidente da CPI, senador Omaz Aziz (PSD-AM), e o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) reforçaram aos colegas oposicionistas que o repasse de verbas para estados será alvo da CPI. Aziz e Randolfe disseram que essa questão já está esclarecida e que os oposicionistas estão tentando tumultuar os trabalhos da comissão.

"Ô tropa de choque atrapalhada. Vão para o STF [Supremo Tribunal Federal] para tentar obstruir toda vez, parece que tem uma coisa pessoal contra o relator, toda vez, tem uma paixão pelo relator, homem. Toda vez ficam querendo questionar os trabalhos do relator. Está no plano de trabalho aqui: emprego de recursos federais. Só era ler, homem. Só era se dar ao trabalho de ler o plano de trabalho. Minha questão de ordem é para gente trabalhar", afirmou Randolfe, em meio ao debate no início da sessão.

Temas do depoimento

Entre os integrantes da CPI, alguns temas são tidos como presenças certas no depoimento do ex-ministro.

Além das medidas de isolamento e da cloroquina, Mandetta deverá ser questionado sobre a falta de material de proteção hospitalar e de respiradores mecânicos no início da pandemia.

Outro tópico deverá ser a orientação do Ministério da Saúde, no início da pandemia, de que os pacientes com sintomas leves não buscassem atendimento médico.

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Fonte: G1

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